Governo do Estado do Rio de Janeiro

‘Precisamos ter a nossa Guantánamo’, diz Witzel a policiais civis ao falar sobre crime organizado no Rio

O novo secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Marcus Vinicius Braga, foi empossado nesta quinta-feira na Cidade da Polícia, no bairro do Jacaré, na Zona Norte do Rio. O governador Wilson Witzel participou da cerimônia e, mais uma vez, foi enfático – e polêmico – ao falar sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. Desta vez, Witzel citou a prisão militar dos Estados Unidos na ilha de Guantánamo, em Cuba.

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Pezão, governador do Rio de Janeiro, é preso pela PF

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi preso na manhã desta quinta-feira (29) pela Polícia Federal (PF). Ele foi detido no Palácio Laranjeiras, Zona Sul da capital carioca, residência oficial do chefe do estado.

A força-tarefa da Lava Jato que deu voz de prisão contra o político é a Operação Boca de Lobo, baseada na delação premiada de Carlos Miranda, operador financeiro de Sérgio Cabral. A Operação Boca de Lobo investiga os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa e passiva na administração do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo Miranda, Pezão recebia mesada de propinas de cerca de R$ 150 mil, além de outras “bonificações” como 13º. O delator afirmou à PF que os crimes aconteceram quando o governador era vice de Cabral.

Mandados de Prisão
A prisão preventiva de Pezão foi determinada pelo ministro Felix Fischer, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Além do governador, outros oito mandados de prisão e 30 de busca e apreensão também são cumpridos.

Os procurados são: José Iran Peixoto Júnior, secretário de Obras de Pezão; Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz, secretário de Governo de Pezão; Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico; Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador; Cláudio Fernandes Vidal, sócio da JRO Pavimentação; Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócio da JRO Pavimentação; Luis Fernando Craveiro de Amorim, sócio da High Control Luis e César Augusto Craveiro de Amorim, sócio da High Control Luis.

Fonte: Pleno.News

Witzel pedirá militares por mais 10 meses após intervenção e quer snipers para ‘abater’ criminosos com fuzis

Ao Estúdio I, da GloboNews, governador eleitor disse que pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros.

Eleito governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do PSC, afirmou em entrevista ao programa Estúdio I, da GloboNews, nesta terça-feira (30), ter solicitado levantamento de quantos “snipers” – atiradores de elite – existem em unidades especiais das polícias Militar e Civil.

Witzel, que é ex-juiz federal e foi eleito para o Palácio Guanabara com quase 60% dos votos válidos, também anunciou que irá pedir ao governo federal a manutenção de decreto de Garantia da Lei e da Ordem por mais dez meses.

Ao tratar dos atiradores de elite das corporações, Witzel respondeu a pergunta sobre uma de suas propostas que buscou enfatizar durante a campanha: abater criminosos que estejam com fuzis.

Na sequência, o governador eleito foi confrontado com casos no Rio em que pessoas com furadeiras e guarda-chuvas foram baleadas e mortas por policiais militares. Witzel argumentou que os tiros não foram dados por “militares preparados”.

Witzel lembrou, então, o flagrante na manhã desta terça, no qual o Globocop registrou homens armados de fuzil disparando contra um blindado da polícia na Cidade de Deus, Zona Oeste.

“Tinha cinco elementos de fuzil. Ali, se você tem uma operação em que os nossos militares estão autorizados a fazer o abate, todos eles seriam sido eliminados”, disse.

Questionado, o governador acrescentou que policiais especializados em disparos precisos e a longa distância também poderão ser colocados em helicópteros para efetuar os disparos. “Quem vai dizer são os técnicos que vão montar as operações”, explicou.

Witzel esclareceu que a autorização para o abate de criminosos de fuzil nas ruas é uma interpretação pessoal do Código Penal e afirmou que vai defender os policiais nos tribunais. No entanto, admitiu que existe o risco de o policial ser condenado em tribunais do júri.

“Prefiro defender policiais no Tribunal do que ir a funeral. O policial será defendido. Se condenado, nós vamos recorrer. Se a setença for mantida, é um risco que a gente corre. O que me deixa desconfortável é ver bandido com fuzil na rua.”

A Anistia Internacional comentou as declarações do governador eleito sobre a política de “abater” criminosos portadores de fuzil. Disse que a medida afronta a legislação brasileira e internacional e desrespeita as regras de uso da força e de armas de fogo.

Declarou ainda que autorizar previamente os policiais a atuarem de forma ilegal, violenta e violando direitos humanos só resultará em uma escalada da violência e colocará em risco a vida de centenas de milhares de pessoas, inclusive os próprios agentes da segurança pública.

Garantia da Lei e da Ordem

Também ao Estúdio I, o governador eleito contou que pretende solicitar ao governo federal a manutenção do decreto de Garantia da Lei e da Ordem no RJ por mais dez meses.

“Esse legado da intervenção a gente precisa aproveitar, conversar com o general [Walter] Braga Netto, conversar com o presidente Jair Bolsonaro, para que a gente possa, se for o caso, manter por mais 10 meses, como Garantia da Lei da Ordem, até que a gente possa ter efetivo suficiente para transpor.”

Na manhã desta terça, em reunião com o atual governador Luiz Fernando Pezão, Witzel afirmou que soube que há 1,2 bilhão para ser investido nas polícias Civil e Militar. O governador eleito disse que “parece” que o investimento já está empenhado em equipamento: colete, munição e fuzis, por exemplo.

Desculpas por ato de intolerância

Durante a entrevista, o governador eleito qualificou como ato de intolerância o fato de então candidatos do PSL quebrarem uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco (PSOL), morta em março deste ano.

“Ele [Rodrigo Amorim] rasgar a placa e fazer o que ele fez, aquilo ali eu também repudio. Liguei para o professor Tarcisio [Motta, correligionário de Marielle] e disse: ‘Professor Tarcisio, receba a minha solidaridade. Jamais compactuo com qualquer estímulo à intolerância”, ressaltou Witzel.

O governador eleito também se desculpou com familiares de Marielle e declarou que se sentiu constrangido de estar no ato em que a placa em homenagem à vereadora foi quebrada.

Recuperação da dívida do RJ

Tratando de economia, o governador eleito chegou a brincar falar sobre a renogociação do Regime de Recuperação Fiscal do estado. Witzel disse que, no domingo, após votar, pediu ajuda a São Judas Tadeu, o “santo das causas impossíveis”.

“Fui pedir a ele [ao santo] para ajudar a fazer a renegociação da dívida. Brincadeiras à parte, a gente sabe que essa recuperação fiscal, outros estados vão começar a pensar nela agora. Alguns governadores estão acampando na frente da casa do Jair Bolsonaro.”

Witzel questionou se o regime adotado para renogaciar a dívida seria o melhor modelo. No entanto, o governador eleito entende que “nesse momento é o que temos”.

“Temos que cumprir essas medidas e o governador está cumprindo as medidas. Alguns itens do relatório, como reforma administrativa, aumento de carga tributária, ainda não estão finalizados. A gente tem 1 ano e 9 meses pela frente, e depois mais três.”

O acordo de recuperação fiscal foi fechado em setembro do ano passado e possibilitou o estado renegociar a dívida com a União, o que representou um alívio à mais grave crise econômica enfrentada pelo RJ.

O plano terá a duração de três anos e foi concebido para ser usado exatamente para liquidar boa parte das contas em atraso, pagando salários e outras contas que não estavam em dia.

Fonte: G1